Referência começa pequena.

Uma imagem de rua. Uma nota sobre a mãe do protagonista. Um PDF de pesquisa. O nome de uma cidade. Uma frase sobre o cheiro da casa antiga.

Depois de um tempo, você tem quarenta arquivos, doze nomes parecidos e uma pasta chamada coisas-importantes, que é a forma mais honesta de dizer “não sei mais”.

Guardar por guardar cria depósito.

Referência útil é aquela que ajuda a escrever, revisar ou manter continuidade.

Pode ser:

  • personagem;
  • lugar;
  • objeto;
  • regra do mundo;
  • imagem;
  • documento de pesquisa;
  • linha histórica;
  • decisão narrativa.

No Momo, as referências podem ser consultadas enquanto você escreve. A diferença está nessa proximidade: a nota não fica apenas guardada. Ela aparece quando o texto chama.

Você não vai procurar referência no auge da lucidez.

Vai procurar às 23h18, com sono, no meio de uma cena, tentando lembrar se o sobrenome era Duarte ou Durães.

Use nomes claros:

helena-duarte.md
mercado-velho.md
mapa-cidade-afundada.png
regra-magia-custos.md

Evite apelidos internos que só fazem sentido no dia em que foram criados.

Uma estrutura simples já ajuda:

  • personagens;
  • lugares;
  • objetos;
  • pesquisa;
  • imagens;
  • documentos externos.

A documentação sobre criar referências mostra como registrar esses elementos no projeto.

Quando o livro muda, as referências precisam acompanhar.

Personagem muda de idade. Cidade troca de nome. Objeto perde função. Uma regra do mundo fica mais simples. Se a referência não muda, ela começa a mentir para você.

Inclua isso na revisão.

Livro longo precisa de memória confiável. Referência boa é memória que trabalha perto da frase.