Ficha de personagem tem um risco discreto.
Você começa querendo entender alguém. Termina preenchendo campos que parecem cadastro de convênio.
Altura. Cor favorita. Tipo sanguíneo. Café ou chá. Medo secreto. Música da infância. Nome do primeiro bicho de estimação. A ficha cresce, o personagem continua sem saber o que quer na cena.
Comece pelo que move ação
Seção intitulada “Comece pelo que move ação”Para romance, uma ficha boa deveria responder:
- o que esse personagem quer?
- do que ele tem medo?
- o que ele esconde?
- quem ele protege?
- quem ele machucou?
- que mentira conta para si mesmo?
- como fala quando está acuado?
Essas respostas voltam para a cena.
Detalhes físicos ajudam quando têm função. Uma cicatriz pode carregar história. Uma mania pode revelar ansiedade. Um objeto pode lembrar uma promessa.
O resto pode esperar.
Guarde continuidade
Seção intitulada “Guarde continuidade”Ficha também serve para não contradizer o livro.
Idade, nome completo, relações, eventos importantes, ferimentos, mudanças de status. Tudo que pode voltar depois merece registro.
No Momo, personagens podem viver como referências. Assim você consulta a ficha sem sair do manuscrito.
Relações valem ouro
Seção intitulada “Relações valem ouro”Personagem não existe sozinho.
Anote tensões:
- dívida;
- culpa;
- desejo;
- rivalidade;
- medo;
- proteção;
- segredo compartilhado.
O post sobre diagramas para escritores pode ajudar quando essas relações ficam grandes demais para lista.
Uma ficha mínima
Seção intitulada “Uma ficha mínima”Comece com:
- Função na história.
- Desejo atual.
- Medo principal.
- Relações importantes.
- Segredo ou contradição.
- Voz e modo de falar.
- Mudanças ao longo do livro.
Depois escreva.
A ficha melhora quando volta machucada da cena, com novas informações e menos certezas bonitas.