Número é uma coisa perigosa na escrita.
Ele parece objetivo. Limpo. Adulto. Você escreve 800 palavras, ele diz 800 palavras. Sem drama.
Mas aí vem o dia seguinte com 47 palavras e uma frase ruim.
De repente, o número vira júri.
Progresso também acontece sem palavra nova
Seção intitulada “Progresso também acontece sem palavra nova”Contar palavras ajuda, claro.
Ajuda a estimar prazo, manter ritmo, entender tamanho do livro e perceber se a rotina está viva. O post sobre meta de palavras por dia fala disso com mais detalhe.
Mas livro avança de outras formas:
- uma cena revisada;
- um capítulo reorganizado;
- uma referência corrigida;
- uma promessa narrativa resolvida;
- um EPUB testado;
- uma decisão tomada;
- uma página cortada com coragem.
Medir progresso só por palavra nova faz a revisão parecer fracasso. E revisão é trabalho. Às vezes é o trabalho que salva o livro.
Use métricas como feedback
Seção intitulada “Use métricas como feedback”Métrica boa responde perguntas:
- em quais dias escrevo melhor?
- quanto rende uma sessão curta?
- onde a revisão está travando?
- minha meta cabe na semana real?
- preciso diminuir ou aumentar o ritmo?
No Momo, as páginas de treino de escrita e métricas ajudam a enxergar sessões e progresso sem transformar cada dia em sentença.
O número deveria informar, não humilhar.
Tenha metas que aceitam ajuste
Seção intitulada “Tenha metas que aceitam ajuste”Meta rígida demais vira culpa rápido.
Uma semana ruim não precisa destruir o projeto. Ajuste prazo, divida tarefas, troque sessão longa por duas curtas, conte revisão como avanço.
Um romance não é linha de montagem. Ele tem fase de descoberta, fase de sujeira, fase de corte, fase de acabamento. Cada uma pede um tipo de progresso.
Uma pergunta no fim do dia
Seção intitulada “Uma pergunta no fim do dia”Além de olhar o contador, pergunte:
o livro ficou um pouco mais claro hoje?
Às vezes a resposta vem com 1.500 palavras.
Às vezes vem com uma cena apagada.
Às vezes vem com uma nota pequena que evita uma contradição daqui a trezentas páginas.
Esse também é progresso. Menos vistoso, talvez. Mas o livro sabe.