Relatório de escrita pode virar duas coisas.

Uma lanterna.

Ou um fiscal.

Quando vira fiscal, todo número parece acusação. Você olha para a semana e vê um buraco na terça. Olha para a meta e vê atraso. Olha para o gráfico e sente que o livro está sentado do outro lado da mesa, decepcionado.

Não ajuda muito.

Um bom relatório ajuda a responder perguntas simples:

  • quantas sessões eu fiz?
  • em que dias consegui escrever?
  • quanto rende uma sessão curta?
  • onde a meta ficou irreal?
  • em qual projeto estou colocando energia?
  • a revisão também está avançando?

Essas respostas ajudam porque a memória mente.

Você lembra do dia ruim com uma nitidez injusta. Esquece os quatro dias pequenos que mantiveram o livro vivo.

Palavras por dia importam, mas não contam tudo.

Uma sessão pode render 1.200 palavras ruins que serão cortadas. Outra pode render 200 palavras boas e uma decisão que destrava três capítulos.

O relatório precisa ser lido com contexto.

O post sobre progresso de escrita fala disso: livro avança também com revisão, corte, organização, referência corrigida e decisão tomada.

No Momo, relatórios e métricas entram como retorno do processo, não como chicote. Eles conversam com metas, sessões de foco, Pomodoro e histórico de trabalho.

Use para ajustar:

  • meta diária;
  • duração das sessões;
  • dias reais de escrita;
  • momentos de revisão;
  • ritmo de publicação;
  • projetos que estão recebendo atenção.

Se o relatório mostra que você escreve melhor em sessões de 25 minutos, aceite. Se mostra que sábado rende menos do que sua fantasia prometia, ajuste.

Fantasia de sábado produtivo é uma criatura muito convincente. Nem sempre trabalha.

Olhar relatório todo dia pode deixar a escrita nervosa.

Uma revisão semanal costuma ser mais gentil:

  1. Veja quantas sessões aconteceram.
  2. Compare meta planejada e semana real.
  3. Marque o que foi revisão, escrita ou preparação.
  4. Ajuste a próxima semana.
  5. Escolha uma ação pequena.

Relatório bom serve para calibrar o caminho.

Ele não decide se você é escritor.

Isso quem decide é o gesto insistente de voltar para o livro.